Marcelo Camargo/FotosPúblicas
Nunca antes na história desse país foi tão difícil encontrar um vice para chapa eleitoral. Prova disso é que até ontem, domingo (5), não sabíamos quais seriam os vices da maioria dos pré-candidatos. Em uma campanha tão segmentada — essa será a eleição com maior número de candidatos à Presidência desde a abertura democrática de 89 — , o vice deixa de ser uma figura representativa e passará a trabalhar como um angariador de votos. Mais importante que isso, porém, é que ele precisa funcionar como alguém em que o candidato possa confiar, sem ter medo que uma traição no meio do caminho aconteça. Chamemos isso de Efeito Temer.
Dos 13 candidatos à Presidência, 9 terão vices do mesmo partido. A atitude balança com dois lados da moeda: por um lado, você tem a confiança de que o vice manterá os mesmos planos políticos, uma vez que é do mesmo partido; por outro, você cria uma coligação mais fraca, com menos tempo de TV e com menos suporte.
Da exceção, Geraldo Alckmin (PSDB) conseguiu apoio do Centrão (bloco político com PTB, PSD, SD, PRB e DEM) e colocou Ana Amélia (PP) como sua vice. Desse modo, Alckmin terá o maior tempo de TV e a maior coligação dessas eleições. O nome de Ana Amélia foi anunciado em cima da hora também, depois de Alckmin ter sondado alguns outsiders, como Josué de Alencar (filho de José de Alencar, vice do Lula nos dois mandatos). Ana Amélia Lemos, porém, foi o nome escolhido como uma tentativa da campanha de Alckmin de tirar votos de Jair Bolsonaro (PSL) e de Álvaro Dias (Podemos).
Eraldo Peres/AP  
Marina Silva (REDE) também conseguiu um nome de outro partido e firmará campanha junto com Eduardo Jorge (PV). Antes, ela tinha sondado o ator Marcos Palmeira, da REDE, que preferiu não se envolver agora. Já Paulo Rabello (PSC) será vice de Álvaro Dias (Podemos), registrando mais uma chapa poli partidária.
A chapa de Jair Bolsonaro (PSL) também terá um nome de outro partido. Depois da novela que foi escolher um vice, o partido anunciou no domingo que o General Hamilton Mourão (PRTB) concorreria ao cargo. General Mourão, como é conhecido, causou polêmica recentemente ao elogiar o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido pela Justiça como torturador durante o regime militar brasileiro. Mourão sugeriu também que o Judiciário não seria capaz de garantir o funcionamento das instituições, mencionando ainda uma possível intervenção militar no Brasil. Ele foi a quarta opção de Bolsonaro, que antes considerou a advogada Janaína Paschoal, o astronauta Marcos Pontes e o príncipe Luiz Philippe de Orléans e Bragança. Paschoal desistiu por problemas familiares. Já para Pontes e para o príncipe, Bolsonaro ofereceu os Ministérios da Ciências e de Relações Exteriores, respectivamente.
Reprodução  
Das chapas com o mesmo partido, Henrique Meirelles (MDB) se candidatará com o antigo governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (MDB). Ciro Gomes (PDT) firmará sua candidatura com Kátia Abreu (PDT), empresária, pecuarista e política brasileira. Guilherme Boulos (PSOL) e Sônia Guajajara (PSOL) encabeçarão outra chapa. José Maria Eymael (DC) terá como vice Helvio Costa, também do DC. Representando o PSTU, Vera Lúcia terá como vice Hertz Dias. Cabo Daciolo (Patriota) terá como vice a pedagoga Suelene Balduino Nascimento (Patriota). O filho do ex-presidente João Goulart, João Goulart Filho (PPL) terá como vice, o professor da Universidade Católica de Brasília, Léo Alves (PPL).
Caso Lula
No fim de semana, o PT anunciou que manteria a candidatura do ex-presidente, agora preso, Luís Inácio Lula da Silva (PT). Como primeira opção, o partido pretende esgotar todas ações judiciais possíveis para fazer o ex-presidente concorrer. Enquanto isso, como vice de sua chapa, o partido anunciou que o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) trabalhará para representar Lula em comícios e campanhas. Caso o ex-presidente seja impugnado e não possa concorrer (o que é o mais provável), Haddad encabeçará a chapa e Manuela D’Ávila (PCdB) entrará como vice.
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O PCdoB informou, porém, que em todos cenários, Manuela será a vice da campanha. Isso significa que, caso a candidatura de Lula seja legitimada, Haddad sai da campanha e Manuela assume como vice.
 
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Acabou em Pizza

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