Velozes e Furiosos é o meu desvio de personalidade. Não gosto de armas, sou contra corridas ilegais – e nem muito fã daquelas legais -, as trilhas sonoras dos filmes não estão entre as mais escutadas do meu Spotify e, como feminista, repudio a sexualização dos corpos femininos em certas cenas. Mas mesmo assim, quando o assunto é Velozes e Furiosos, eu esqueço tudo isso e afirmo que a franquia é um grande sucesso. E é por isso que, em todas as estreias, eu marco presença na sala de cinema. Eu e muitas pessoas, já que, após oito filmes lançados, a franquia “Velozes e Furiosos” rendeu mais de US$ 5 bilhões em todo o mundo.

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Depois de um ano de espera, já que o lançamento original estava previsto para maio de 2020, mas teve que ser adiado devido à pandemia, Velozes e Furiosos 9 estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (24). E a nova produção tem tudo o que se espera de um filme da franquia: carros, explosões (muitas explosões!), força bruta, armas, corridas de dez segundos, um brinde de cerveja Corona, claro, e mais uma boa história da vida de Dominic “Dom” Toretto, personagem interpretado por Vin Diesel. Velozes & Furiosos 9 ainda conta com a volta de Justin Lin, diretor da terceira à sexta produção da franquia.

Se a premissa do oitavo filme era: “E se Toretto fosse do mal?”, no nono é: “E se Toretto tivesse um irmão perdido, nunca nem citado?”. Dom leva uma vida tranquila fora das pistas com Letty (Michelle Rodriguez) e seu filho, o pequeno Brian, quando logo é forçado a voltar para ação para recuperar um dispositivo super tecnológico e impedir que seu irmão, Jakob Toretto (John Cena), o use para alterar o mundo bem como o conhecemos. Dessa forma, ele e sua equipe, que conta com o retorno à franquia da atriz Jordana Brewster, a Mia Toretto, e da dupla Roman Pearce (Tyrese Gibson) e Tej (Chris “Ludacris” Bridges), além de Ramsey (Nathalie Emmanuel), percorrem o mundo, passando pela América Latina, Azerbaijão, Tóquio, Londres e Geórgia, perseguindo o irmão perdido da família Toretto e sua esquadra.

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Se a ideia lhe parece familiar, é porque ela é. A busca por um dispositivo não é uma história nova na série. No entanto, as cenas de ações inéditas compensam esse roteiro “um pouco do mesmo”. Inclusive, vários outros momentos passam a sensação de “já vi isso antes”, o que, de forma alguma, faz com que o filme caía num clichê nada criativo, mas sim, em um tom nostálgico. Assim, há várias piadas internas para aqueles que acompanharam todas as produções anteriores.

(Um parentêses aqui para falar: o alívio cômico, neste filme, continua sendo papel de Roman Pearce e de suas contracenações com Tej).

Ao longo do filme, vários personagens, que são velhos conhecidos dos fãs da série, retornam com breves participações, o que salienta o tom de nostalgia. Velozes e Furiosos 9 dialoga com o passado particular de Toretto, com cenas dramáticas e flashbacks muito bem produzidos, ao mesmo tempo que conversa com o passado da família de amigos liderada por ele. E por falar em passado, quem, surpreendentemente, retorna para o penúltimo capítulo dessa franquia é o ator Sung Kang, o personagem Han, que havia, supostamente, morrido no Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio.

As corridas de rua, assim como nos último filmes, ficam em segundo plano e abrem, mais uma vez, espaço para a ação e para as explosões. Em menos de 20 minutos do longa, temos Don e companhia correndo por um campo repleto de acionadores de bomba, o que nos faz pensar: “Isso aí. Isso é Velozes & Furiosos”. No entanto, uma grande parte das cenas de ação são ridicularmente impossíveis de acontecerem. Sendo que há essa mesma crítica às produções anteriores, o próprio roteiro brinca com isso, quando, em certos momentos, os personagens se perguntam se eles são invencíveis, pois já passaram por várias situações em que saíram ilesos.

Os efeitos visuais, que são muito bem produzidos, a trilha sonora que condiz com o universo da franquia, bem como toda a história que envolve Dominic Toretto e sua família, fazem com que eu releve estes momentos e aguarde por Velozes e Furiosos 10. Esse que, ao que tudo indica, deve ser o fim da série.


Crítica escrita por Rafaela Frison

Assista ao trailer:

Velozes e Furiosos 9

4

4.0/5
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Acabou em Pizza

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