Guillermo del Toro ficou conhecido por seu estilo facilmente reconhecível, misturando o gótico e o horror com elementos familiares. A Espinha do Diabo, Labirinto do Fauno e, mais recentemente, A Forma da Água possuem esse estilo nato do diretor mexicano, conseguindo fisgar sua audiência pela curiosidade de entender o que está acontecendo na tela a sua frente.

É inegável a beleza de O Beco do Pesadelo. Seja pelo design de produção ou pela fotografia, fica claro que Del Toro nasceu para dirigir um filme de carnaval — do tipo europeu, não o brasileiro. O romantismo imbuído nas atrações do circo é a mistura perfeita de estranheza e humanidade tão desejada pelo diretor em suas produções.

Acompanhamos Stanton Carlisle, um misterioso homem interpretado por Bradley Cooper. À toa no mundo, Stan consegue um emprego no circo chefiado por Clem (Willem Dafoe) e lá encontra Madame Zeena (Toni Colette), seu marido ébrio Pete (David Strathairn), o todo-poderoso Bruno (Ron Pearlman) e Mary (Rooney Mara), por quem instantaneamente se apaixona.

Rooney Mara e Bradley Cooper em O Beco do Pesadelo. Foto: Kerry Hayes / 20th Century Studios / Divulgação

É neste cenário que o filme ecoa com sua maior potência. Vermelho e amarelo vibram em contraste com as constantes sombras das noites chuvosas que acompanham o grupo de aberrações circenses. As interações entre os personagens da companhia geram diálogos que brincam com o mistério e o avanço da trama, como um divertido jogo de um diretor consciente do que está fazendo.

O melodrama empregado por Del Toro é propositalmente exagerado e evoca o teatro de Grand Guignol, embora com uma significativa redução de vísceras. O naturalismo da obra encaixa com a temática proposta, mas há uma certa redundância na maneira como isso acontece.

Os 150 minutos do longa acabam por ser pesados ao espectador, que pode se sentir cansado ao final de toda essa viagem emocional – e literal – dos protagonistas. A introdução da psicóloga Lillith Ritter (Cate Blanchett) e do ricaço problemático Ezra Grindle (Richard Jenkins) dão um novo fôlego, ainda que sigam o mesmo rumo do restante do filme.

Bonito, longo e com uma constante dança dos seus personagens, O Beco do Pesadelo é uma viagem imersiva para o ambiente carnavalesco em tempo de vacas magras nos Estados Unidos. Enfim, Del Toro fez teatro no cinema, como sempre pareceu ser seu desejo.

Veja o trailer:

O Beco do Pesadelo

3.5

3.5/5
Escrito por

Alberto Fanck

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