Divulgação | Netflix

Após um ano e meio de espera, a segunda temporada de Dark está entre nós. Na temporada anterior, conhecemos a cidade fictícia de Winden, na Alemanha e seus habitantes. Recheado de mentiras e segredos, os personagens ainda precisam lidar com os constantes desaparecimentos de garotos na região, o que resulta em uma teia de viagens no tempo. A majestosa produção alemã volta em grande estilo e nos mostra como unir viagem no tempo e ficção científica perfeitamente.  
Depois de tentar destruir o portal que permite viagens, o jovem Jonas Kahnwald (Louis Hofmann)  chega em um futuro distópico no ano de 2052 e se depara com uma Terra apocalíptica. Ele luta para retornar para 2019 e reverter essa catástrofe que atingiu a humanidade.  Então, precisa descobrir uma maneira de interromper o ciclo para que tudo possa voltar ao normal. Não esqueça: a série mostra diferentes épocas e todas estão conectadas uma nas outras, porém, a linha temporal é mesma. O passado, presente e futuro são a mesma coisa. Tudo está ligado, incluindo os personagens. 
No tempo atual, o mistério em torno do sumiço dos meninos continua. Na lista, agora, acrescenta-se Ulrich Nielsen (Oliver Masucci) e Helge Doppler (Hermann Beyer). Além disso, o segredo envolvendo Aleksander Tiedemann (Peter Benedict) aumenta. Já Noah (Mark Waschke), o padre, ganha maior protagonismo. O segundo ano veio para completar e apresentar respostas. A série  trabalhou e soube manter o ritmo, fortalecendo o suspense, apostando cada vez mais nos enigmas., sabendo levantar e revelar os mistérios no momento certo. Os idealizadores e escritores são Baran bo Odar e Jantje Friese. Ambos trabalham o sentimento de culpa em meio a catástrofe cerca à sociedade, trazendo conceitos da ficção científica para construção do roteiro. 
O primeiro desafio para voltar a esse mundo é recordar todos os personagens dos diferentes anos. Além, da excepcional semelhança, os nomes em alemão dificultam ainda mais nossa memórias. Isto só prova o quanto a série tem a nos oferecer. A alternância de foco se expande, permitindo uma variação de pontos de vistas, ampliando as ramificações. As investigações em torno dos desaparecimentos e a tensão familiar possibilita que mais pessoas descubram sobre visitar outros períodos temporais. Um dos personagens que ganham mais destaque é Noah. Considerado o grande vilão, na segunda temporada conhecemos sua origem e, ainda mais, suas motivações em torno do tempo. Seu potencial é elevado na linha que une ciência e ficção. Também revisitamos o passado, bem como o presente. Momentos marcantes na temporada anterior retornam sem cair na repetição.

É uma nova perspectiva que nos revela, a cada momento, como Winden é obsessiva e doentia.  A narrativa permite entrar mais ainda na mente dos personagens, intensificando suas dores e angústias. O roteiro é o responsável por essa ampliação no ambiente. Por mais que seja difícil assistir Dark sem dar “pause” constantemente, é preciso estar atento a cada frase dita para entender o próximo passo. Por alguns momentos, chega a ser cansativo prestar atenção e tentar decifrar citações prontas, no entanto, tudo está conectado, e realmente está. Não precisamos nos matar para desvendar na primeira vez, pois a série conta posteriormente.

É um ano marcado por arrependimento e descobertas que complementam questões deixadas na primeiro temporada, mas, também, ampliam para novas. A produção contínua meticulosa, a destruição é tão presente que, no primeiro episódio, é possível fazer uma associação com Chernobyl,. A trilha sonora carregada pelo suspense também ajuda. É fácil continuar viciado. A série continua consistente, abordando os subtramas e garante manter o alto nível na próxima temporada. Dark ainda é complexa, dedica tempo e atenção. Não é algo criado para ser convencional.
“A pergunta não é que tempo, mas de qual mundo. (Martha Nielsen)”

Escrito por

Andressa Mendes

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